coisas simples

poesia 02/2019

coisas simples são extraordinárias:
gosto de olhar o céu
de noite de dia ao por do sol
os brilhos as luzes as sombras as plantas os seres vivos as
flores
pequeninas onde antes não tínhamos visto nada
o som do sussurrar das folhas em raios de luz como uma dança
os animais o olhar dos cachorros
o cintilar das estrelas
o mover da neblina
a imensidão escura e assombrosa da noite
os mistérios da vida
a beleza sábia da criação
o nascer e o mover dos seres
sabores perfumes
a chuva intensa a tempestade plúmbea
o ruido cintilante do céu
o vento frio da noite de inverno
o fogo da lareira
em tudo vejo
a grandeza além da imaginação possível
da tremenda e extraordinária santidade do Criador
e até em nossos erros
percebo seu convite
a que aprendamos a ouvir
essa paciente história do mundo em que cintilamos tão breves
como uma brasa que escapa da fogueira e desaparece no ar
incandescendo sua aventura nos limites de nosso conhecimento
que é puro desconhecimento
a cada nova galáxia que ouço a cada milhão de anos que ao universo acrescemos
mais espantosa diversa e sábia se torna a criação de Deus
maior se revela seu cuidado mais grave nosso descaso
mais imprudente nosso conhecimento
e egoístas nossos desejos com essa incandescência do momento animada pela chama da eternidade
timbramos em ensurdecer encantados com o reflexo no espelho
e com pilhas de livros e tralhas e enfeites e distrações
enquanto a alma apenas demanda
coisas tão simples mas tão extraordinárias
como o entrelaçamento dos afetos o amor a voz amiga a descoberta
da beleza no olhar o brado de louvor
na mão estendida o sentido de existirmos juntos
cada vez que olho o horizonte da paisagem ou do meu desvelar meu destino meus erros meus
anseios de redenção e comunhão com meu Criador
de quem sou indigno pela teimosia de meu reiterado errar e querer acertar não deixo de me
curvar e estender as mãos e os olhos ao céu clamando seu Nome sua presença
cada vez que contemplo e usufruo uma fruta ou vejo os animais e as sombras das matas
toco os mistérios magníficos da vida que Ele teceu e com seu hálito e poder vivo infundiu
diante dessa imensidão eu me espanto e me fascino
enquanto em tudo isso vejo a oportunidade de ler sem sons nem palavras uma carta convite do
Altíssimo e do Redentor
um convite de amor e ao entendimento
à paz e à alegria
ao perdão e aceito o sentido da neblina em que enxergo e atravesso a fragilidade persistente
de meus dias
que a Ele pertencem
enquanto na breve peregrinação minha chama passageira incandesce no ar quisera eu dissipando
minhas impurezas
mas não desapareço apenas por graça Daquele que é Puro diante de quem encontro-me
contido nas mãos Daquele que me fez
e no meu Redentor que vive aguardo
e caminho na esperança

Euler Sandeville Jr., Itu, 25 de maio de 2019

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